Manter exames, receitas e históricos médicos organizados sempre foi um desafio e, muitas vezes, uma dor de cabeça. Documentos espalhados, dados duplicados e informações difíceis de localizar são problemas comuns para pacientes e profissionais de saúde.
A Eka Care está mudando esse cenário. Combinando inteligência artificial (IA) e a integração ao ABHA (Ayushman Bharat Health Account), a plataforma reúne todo o histórico médico em um único lugar, com segurança, acessibilidade e simplicidade.
O que é a Eka Care e por que ela se tornou relevante
Uma healthtech movida por IA e conectada ao ABHA
Nascida em plena pandemia e impulsionada pela Ayushman Bharat Digital Mission (ABDM), a Eka Care surgiu para digitalizar registros médicos e torná-los não apenas acessíveis, mas também interoperáveis, ou seja, fáceis de compartilhar e interpretar em diferentes sistemas.
Um salto impressionante
Em pouco tempo, a empresa digitalizou mais de 110 milhões de registros de saúde, beneficiando mais de 50 milhões de usuários. É um avanço que coloca a startup entre os principais agentes da transformação digital da saúde na Índia.
Recursos que fazem diferença
- Reconhecimento inteligente de documentos — IA capaz de transformar relatórios, exames e prescrições em dados estruturados, permitindo análise, identificação de tendências e geração de insights clínicos.
- Eka Scribe — ferramenta que transcreve e organiza automaticamente conversas entre médico e paciente, gerando prontuários eletrônicos e receitas prontas para uso.
- ABHA sem burocracia — processo rápido de criação de contas ABHA, facilitando consultas e procedimentos em hospitais públicos. Mais de 17 milhões já foram emitidas por meio da Eka Care.
Impacto e planos de expansão
A proposta da Eka Care é preencher o espaço entre soluções pontuais (como farmácias online) e o acompanhamento clínico completo e contínuo.
Até o final do ano, a empresa quer:
- Aumentar de 12 mil para 40 mil médicos assinantes.
- Expandir o uso de suas APIs, hoje utilizadas por mais de 160 desenvolvedores.
- Alcançar US$ 10 milhões em receita anual recorrente nos próximos 20 meses.
O Que Clínicas Brasileiras Podem Aprender Com a Eka Care
Embora o ABHA seja um sistema exclusivo da Índia, o problema que a Eka Care resolve é universal: pacientes chegam à consulta sem histórico organizado, exames espalhados em diferentes aplicativos e prontuários que não conversam entre si. No Brasil, iniciativas como o Meu SUS Digital e prontuários eletrônicos privados caminham na mesma direção, ainda que em ritmo diferente. Para clínicas particulares, a lição prática é: quanto mais organizado for o histórico do paciente dentro do próprio sistema da clínica, melhor a experiência de atendimento e maior a percepção de profissionalismo.
Ferramentas de transcrição automática de consulta, como a Eka Scribe, também começam a aparecer no mercado brasileiro. Comunicar que sua clínica usa tecnologia para reduzir erros de anotação e agilizar a geração de receitas e atestados é um diferencial real de comunicação — desde que a mensagem seja sobre eficiência operacional, e não sobre uma promessa de melhor resultado clínico.
Um erro comum ao divulgar esse tipo de investimento tecnológico é focar apenas na ferramenta, sem explicar o benefício para o paciente. Em vez de “nossa clínica usa inteligência artificial”, é mais eficaz comunicar o resultado prático: “seu histórico fica organizado e acessível, e sua consulta é mais ágil porque não perdemos tempo procurando informações”. A tecnologia deve ser meio, não o assunto principal da comunicação.
Perguntas frequentes
Por que a pandemia acelerou o crescimento da Eka Care?
Porque a procura por soluções digitais de saúde disparou nesse período, e a plataforma já estava alinhada com os objetivos do ABDM, facilitando a adesão.
Como a IA melhora a experiência?
Ela interpreta e organiza automaticamente documentos e conversas médicas, transformando informações soltas em um histórico de saúde claro e facilmente consultável.
A trajetória da Eka Care mostra como a combinação de IA e integração a sistemas nacionais pode mudar radicalmente a gestão da saúde. Ao unir pacientes, médicos e informações clínicas em um ecossistema digital, a empresa não só moderniza processos, mas também cria um modelo inspirador para o futuro da medicina.
(Referência: Economic Times)


